Este blog é dedicado aos amantes da língua portuguesa, àqueles que querem sempre aprender mais e aos que querem conhecer melhor nossa empresa. A valorização da língua portuguesa é nosso maior objetivo e nossa maior alegria! Esperamos que façam bom proveito das informações aqui postadas! |
É incrível, mas parece que ninguém mais sabe que o verbo "ter" e seus derivados (obter, deter, reter, ater) não são conjugados da mesma forma na terceira pessoa do singular e na terceira do plural. Nem mesmo os jornais...
Na terceira pessoa do singular, devemos dizer "Ele tem um filho"; já na terceira do plural, "Eles têm um filho". E isso vale para os verbos derivados de "ter": "eles retêm a mercadoria", "eles obtêm ganhos expressivos", e assim por diante. Pois é, mas esse acento tem sido esquecido.
Porém, vai que você pense que acentuar ou não esse "e" não fará muita diferença. Será? Olhe como mudamos toda uma oração se o esquecermos: na Folha de S. Paulo de hoje, lê-se:
"O canal (...) ficou longe de NET, Sky e TVA, que detém mais de 90% da base de assinantes da TV paga no país".
O que o jornal disse? Ele disse claramente, com todas as letras, que a TVA detém mais de 90% da base de assinantes da TV paga no país. Porém, o que ele quis dizer é que quem detém esses 90% são as três operadoras somadas, NET mais Sky mais TVA. O texto correto seria:
"O canal (...) ficou longe de NET, Sky e TVA, que detêm mais de 90% da base de assinantes da TV paga no país".
Agora sim, entende-se que as três operadoras citadas detêm mais de 90% dos assinantes. Viu como muda tudo? Agora imagine um erro desses em um contrato, em um documento da sua empresa... Já pensou no prejuízo que pode dar?
Mais um excelente texto do professor Pasquale!
PASQUALE CIPRO NETO
"...a turbulência que atravessa os EUA..."
Dia desses, num dos programas de uma das emissoras que carregam o "News" no nome, ouvi a frase que dá título a esta coluna. Na verdade, não se disse "os EUA", e sim "os Estados Unidos".
Como se sabe, em se tratando do padrão formal da língua, a expressão "Os Estados Unidos" (quando sujeito) exige o verbo no plural, já que o artigo ("os") aparece flexionado no plural. Em sendo assim, são do padrão culto construções como "Os Estados Unidos certamente nunca imaginaram que um dia passariam pelo que estão passando" ou "Ao longo da história, os Estados Unidos produziram mais guerras do que qualquer outra coisa".
Na outra ponta, isto é, no uso efetivo da língua, sobretudo na fala, constata-se que não são raras construções como "Os Estados Unidos certamente nunca imaginou que..." ou "Ao longo da história, os Estados Unidos produziu mais guerras do que...", em que o verbo é posto na terceira pessoa do singular. A explicação para esse fato é simples: alguns falantes tendem a entender "os Estados Unidos" como uma unidade, ou seja, como uma coisa só, um país, e aí fazem a concordância com a ideia e não com a forma. Muita gente chega a dizer "o Estados Unidos" (sim, com o artigo no singular), o que evidencia ainda mais a ideia de que se considera o nome próprio "Estados Unidos" como uma unidade, uma coisa só.
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