Este blog é dedicado aos amantes da língua portuguesa, àqueles que querem sempre aprender mais e aos que querem conhecer melhor nossa empresa. A valorização da língua portuguesa é nosso maior objetivo e nossa maior alegria! Esperamos que façam bom proveito das informações aqui postadas! |
"O seguro morreu de velho" é um provérbio português (e brasileiro) tão velho - mas ainda vivo - que se poderia supor que dispensasse explicações. Não é bem assim. É comum que falantes nativos da língua portuguesa, em pleno domínio de seus meios de expressão, escrevam para um dos consultórios linguísticos ou gramaticais de mundo digital - como o Sobre Palavras, que no mantenho no site de VEJA para perguntar o que quer dizer esse ditado,. . como se ele trouxesse uma mensagem cifrada.
A confusão sobre a classe gramatical da palavra "seguro" é um dos fatores de mal entendido. Como adjetivo, seguro do latim se + curus, ou seja, livre de cuidados e preocupações - existe em nossa língua desde o século XIII e quer dizer protegido, isento de riscos, firme, confiável, prudente ou, numa acepção menos comum, até mesmo sovina. Já o substantivo, que data do século XVI, nomeia algo bem distinto e juridicamente preciso: um contrato entre segurador e segurado.
O tal que morreu de velhice é o primeiro, claro. O adjetivo seguro qualifica um sujeito que foi subtraído da frase por elipse: homem ou indivíduo. Apólices não vêm ao caso aqui. Mas é justamente essa expressão econômica, sintética, característica do gênero, que abre a porta para leituras frontalmente contrárias ao espírito da coisa. Então quer dizer que a cautela e a segurança são coisas do passado, estão mortas,e nos dias de hoje todos devemos correr riscos?
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