Este blog é dedicado aos amantes da língua portuguesa, àqueles que querem sempre aprender mais e aos que querem conhecer melhor nossa empresa. A valorização da língua portuguesa é nosso maior objetivo e nossa maior alegria! Esperamos que façam bom proveito das informações aqui postadas! |
PASQUALE CIPRO NETO
Cujo, o famigerado
Além de famigerado (com o sentido usual), o relativo 'cujo' é quase um moribundo, errático, sem sepulcro à vista
Um dos memoráveis contos de "Primeiras Estórias", obra-prima de Guimarães Rosa, é "Famigerado". Um bandidaço ("Damázio, dos Siqueiras") chega a um lugarejo e pede ao médico do local que lhe explique o significado de "famigerado" ("Eu vim perguntar a vosmecê uma opinião sua explicada").
Não vou estragar o prazer de quem ainda não leu o conto. Se é esse o seu caso, caro leitor, é só entrar num dos sites de busca e digitar "famigerado". Permita-me outra sugestão: assista ao belíssimo filme "Outras Histórias", que Pedro Bial dirigiu em 1999. O filme (que está -inteirinho- no YouTube) se baseia na obra quase homônima de Rosa. Um dos contos aproveitados por Bial é justamente "Famigerado". Poucas vezes vi fotografia tão impressionante como a desse filme. A essa beleza se acrescenta o magnífico trabalho dos atores e do diretor.
Pois bem. Ao pé da letra, "famigerado" significa "famoso", "célebre" etc., mas, no uso comum, esse adjetivo significa "tristemente afamado", "que tem má fama".
Mais um excelente texto, cuja leitura vale a pena!
(Ó, colocamos o "cuja" aí, direitinho, como manda o professor!).
PASQUALE CIPRO NETO
'...estava previsto para embarcar...'
O fato é outro: é o cacoete, a expressão viciada, guiada pelo piloto automático, usada irrefletidamente |
Neste espaço, já citei mais de uma vez um texto que o grande Otto Lara Resende publicou nesta Folha, em 1992, no qual o mestre mineiro falava do "desaparecimento" do pronome relativo "cujo", que "bateu asas e voou. Virou ave migratória".
Esse texto chegou a ser mote de uma questão da Unicamp, cujo enunciado começava assim: "O comentário acima, do escritor Otto Lara Resende, refere-se ao fato de que o uso do pronome relativo 'cujo' é cada vez menos frequente. Isso faz com que os falantes, ao tentarem utilizar esse pronome na escrita, construam sequências sintáticas que levam a interpretações estranhas. Veja o exemplo seguinte: 'O povo não só quer o impeachment desse aventureiro chamado Collor, como o confisco dos bens nada honestos do sr. Paulo Cesar Farias e companhia. E que a esse PFL e ao Brizola (cuja ficha de filiação ao PDT já rasguei) reste a vingança do povo...'".
O manifesto é de um leitor da Folha e foi publicado no Painel do Leitor, de 30/07/92. A levarmos ao pé da letra o que ele afirma, a ficha de filiação de Leonel Brizola ao PDT foi rasgada por... Por esse leitor, uai!
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